Sistema Eletrônico de Administração de Conferências ANCIB, XXV ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

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Análise da produção científica em acesso aberto de países africanos beneficiados pela política de isenção da Wiley
Graziela Barros Gomes, Michelli Pereira da Costa, João de Melo Maricato

Última alteração: 2026-03-05

Resumo


As taxas associadas à publicação científica em acesso aberto têm suscitado controvérsias, em particular quanto ao acesso para autores de países em desenvolvimento. Este estudo analisou a produção científica em acesso aberto de países africanos listados na política de isenção total (100 %) ou de desconto parcial (50 %) de APC da Wiley, no período de 2016 a 2024. A pesquisa, de natureza descritiva, utilizou o site da editora e a base Scopus para coletar o número de artigos publicados com e sem colaboração internacional e utilizou o Journal Citation Reports para obter o fator de impacto dos dez periódicos com maior volume de publicação. Observou-se que a adoção emergencial de acesso aberto durante a pandemia de COVID-19 impulsionou temporariamente o crescimento, mas que, a partir de 2022, houve forte retração nos países com desconto parcial, enquanto aqueles com isenção total mantiveram aumento mais constante, ainda que em patamar muito inferior ao das nações de alta renda. A maior parte das publicações africanas concentrou-se em periódicos de baixo fator de impacto e dependentes de colaborações internacionais, evidenciando desigualdades marcantes entre regiões centrais e periféricas. Conclui-se que, embora a política de isenção e descontos da Wiley contribuam para o aumento da produção científica de países africanos, elas não são suficientes para superar as barreiras estruturais à consolidação da pesquisa local,evidenciando a necessidade de políticas editoriais mais abrangentes, com maior transparência e apoio à infraestrutura científica que considerem aspectos além da renda, visando um impacto mais significativo na democratização do conhecimento científico.

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