Última alteração: 2026-03-05
Resumo
Este estudo aborda as representações de gênero nos dicionários de língua portuguesa publicados entre os séculos XIX e XXI, considerando-os como dispositivos mediacionais que moldam e reproduzem sentidos socialmente compartilhados. O objetivo é discutir, de forma histórica, as representações de “homem” e “mulher” em dicionários de língua portuguesa que circularam no Brasil entre os séculos XIX, XX e XXI, em três obras lexicográficas de diferentes períodos: Diccionario da Lingua Portugueza (Silva, 1813), Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa (Lima; Barroso, 1948) e Dicionário UNESP do português contemporâneo (Borba, 2004). A metodologia adotada ancora-se na Análise Crítica do Discurso (Fairclough, 2001), permitindo identificar os regimes de informação e práticas discursivas subjacentes às definições, bem como as transformações históricas nas formas de representação de gênero. Os resultados indicam que os dicionários, longe de serem neutros, operam como artefatos ideológicos, reforçando estruturas de poder e desigualdade por meio da linguagem. As considerações finais destacam a importância de um olhar crítico da classe bibliotecária na mediação do acesso às obras de referência, defendendo práticas informacionais comprometidas com a inclusão, a equidade e a emancipação social.