O CONTRAMONUMENTO E O ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DE GÊNERO NO FUTEBOL: O CASO DANIEL ALVES
Resumo
Tem como objetivo analisar a contribuição do contramonumento para as pautas dos movimentos feministas no combate à violência de gênero contra as mulheres. Para isso, considera-se a conjuntura social frente ao monumento construído em 2020, na cidade de Juazeiro (Bahia, Brasil), para homenagear o jogador Daniel Alves. O monumento esteve ainda presente em logradouro até meados de 2024, quando da condenação pela justiça espanhola do atleta, por crime de agressão sexual. Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, de cunho qualitativo. Desenvolve-se uma reflexão teórica que estabelece um entrelaçamento entre diferentes conceitos – monumento, memória, informação e gênero –, evidenciando, principalmente, a relação firmada entre os movimentos de resistência, o contramonumento e o movimento feminista. A análise é baseada em dois fatos: 1) manifestações contra o monumento arguido em Juazeiro; 2) retirada da imagem de futebolista do Museu do Esporte Clube Bahia, em Salvador. Destaca-se então a importância de os clubes esportistas criarem instituições de memória como museus, cuja função social é preservar a memória dos seus integrantes, e bibliotecas, que ofereçam referenciais sobre a temática e de mulheres para auxiliar na formação dos atletas. Conclui-se assim que o uso dos dispositivos informacionais pode contribuir com os movimentos sociais de resistência no combate às narrativas unilaterais que criam uma representação parcial dos acontecimentos e reforçam as violências contra as mulheres, em suas muitas facetas.