MICROAGRESSÕES E TRAUMA RACIAL NO ENSINO BIBLIOTECÁRIO: UMA ANÁLISE VIA ESCALA DE MICROAGRESSÕES RACIAIS NO ENSINO EM BIBLIOTECONOMIA

Autores

  • Franciéle Carneiro Garcês da Silva Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) Autor
  • Dirnéle Carneiro Garcez Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Autor
  • Nathália Lima Romeiro Universidade federal de Minas Gerais (UFMG) Autor
  • Priscila Rufino Fevrier Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia convêncio com Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBICT/UFRJ) Autor
  • Ana Paula Meneses Alves Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Autor

Resumo

Resumo: Este artigo parte das seguintes perguntas: De que forma as microagressões raciais se manifestam no ensino bibliotecário? Como mensurar os traumas raciais causados por microagressões raciais durante a graduação de pessoas em bibliotecárias negras? Para respondê-lo, o objetivo geral é compreender como as microagressões raciais se manifestam no ensino bibliotecário, considerando a formação de pessoas negras. Este objetivo se desdobra em objetivos específicos, os quais buscam: a) conceituar as microagressões raciais, características e suas esferas no ensino bibliotecário; b) categorizar como as microagressões raciais se concretizam no ensino e nas relações entre estudantes e docentes, e estudantes negros e seus colegas brancos, a partir dos depoimentos coletados de pessoas bibliotecárias negras; e c) mensurar o trauma racial causado nessas pessoas bibliotecárias negras via Escala de Microagressões Raciais no ensino de Biblioteconomia.. No plano metodológico, trata-se de pesquisa aplicada e qualiquantitativa de cunho documental, bibliográfica, exploratória e descritiva dividida em três etapas: revisão de literatura, aplicação de questionário e análise dos resultados, e, por fim, criação e aplicação de Escala de Microagressões raciais para a Biblioteconomia. A análise da amostra coletada, via Escala, revelou a presença de microagressões no ensino bibliotecário, manifestadas por meio de práticas sutis e mensagens não-verbais e verbais que carregam desprezo, sexismo e racismo propagados por docentes e colegas brancos em sala de aula. Foi possível perceber que as microagressões que mais se expressam no ensino são das categorias de Deslegitimação/Invalidação e Ameaça/Intimidação, interseccionando as opressões de gênero, raça e sexualidade na vivência educativa de nível superior de pessoas negras. Ademais, por intermédio de uma equação para mensuração de trauma racial, foi possível estabelecer que todas as microagressões raciais trazem como consequências traumas que – interseccionados com as categorias de opressão – estarão nas pessoas bibliotecárias negras por toda a vida.

 

Biografia do Autor

  • Franciéle Carneiro Garcês da Silva, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
    Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação, da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGInfo/UDESC). Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestra em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBICT-UFRJ). Idealizadora e gestora do Quilombo Intelectual. Coordenadora do Selo Nyota e do GT Relações Étnico-raciais e Decolonialidades (GT RERAD). Vice-Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Recursos, Serviços e Práxis Informacionais (NERSI) e compõe o quadro de integrantes do Grupo de Pesquisa Ecce Liber: Filosofia, linguagem e organização dos saberes como membro do Satélites em Organização Ordinária dos Saberes Socialmente Oprimidos (O²S².sat).
  • Dirnéle Carneiro Garcez, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
    Doutoranda em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina (PGCIN-UFSC). Mestra em Ciência da Informação (PPGCIN/UFSC). Bacharela em Administração pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI. Integrante do Grupo de Pesquisa Ecce Liber: Filosofia, linguagem e organização dos saberes como membro do Satélites em Organização Ordinária dos Saberes Socialmente Oprimidos (O²S².sat) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Recursos, Serviços e Práxis Informacionais (NERSI).Bolsista CAPES de Desenvolvimento Social (CAPES-DS).
  • Nathália Lima Romeiro, Universidade federal de Minas Gerais (UFMG)
    Doutoranda no Programa de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestra em Ciência da Informação (IBICT/UFRJ).
  • Priscila Rufino Fevrier, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia convêncio com Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBICT/UFRJ)
    Doutoranda em Ciência da Informação (IBICT/UFRJ). Mestra em Ciência da Informação (PPGCIN/UFSC). Bacharela em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Integrante do Grupo de Estudos Intelectuais Negras na Ciência da Informação. Membro do Grupo de Trabalho "Relações Étnico-Raciais e Decolonialidades”, vinculado à FEBAB. Compõe o quadro de integrantes do Grupo de Pesquisa Ecce Liber: Filosofia, linguagem e organização dos saberes e é membro do Satélites em Organização Ordinária dos Saberes Socialmente Oprimidos (O²S².sat) vinculado ao Grupo de Pesquisa Ecce Liber - IBICT/UFRJ e do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Recursos, Serviços e Práxis Informacionais (NERSI).
  • Ana Paula Meneses Alves, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
    Professora Adjunta do Departamento Organização e Tratamento da Informação da Escola de Ciência da Informação da UFMG. Doutora em Ciência da Informação pela Faculdade de Filosofia e Ciências - Unesp - Campus Marília em regime de cotutela com a Universidade de Granada - Espanha, na qual recebeu o título de Doutora em Ciências Sociais. Mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos. Bacharela em Biblioteconomia pela Faculdade de Filosofia e Ciências - Unesp - Campus Marília. Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Recursos, Serviços e Práxis Informacionais (NERSI-UFMG).

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Publicado

26-03-2024

Volume dos Anais

Seção

GT 12 – Informação, Estudos Étnico-Raciais, Gênero e Diversidades