PRÁTICAS INFORMACIONAIS EM GRUPOS ANTIVACINA DO TELEGRAM: UM ESTUDO COM SUJEITOS QUE NÃO ADERIRAM À VACINAÇÃO CONTRA COVID-19

Authors

  • Carolina Costa Gonzaga UFMG Autor
  • Carlos Alberto Ávila Araújo <span>Professor titular da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, da qual foi diretor de 2014 a 2017. Doutor em Ciência da Informação pela UFMG, com pós-doutorado pela Universidade do Porto, Portugal (2011) e pela< Autor

Abstract

Compreender as práticas informacionais dos sujeitos integrantes de grupos com a temática antivacina do Telegram a partir do cenário da pós-verdade, identificando os significados de vacina e como são construídos, bem como os fatores para a não aderência a ela e a caracterização das principais autoridades cognitivas que legitimam a postura antivacina nesses grupos. Método netnográfico, observacional, análise de conversação dos sujeitos em chats antivacina do Telegram. O viés cognitivo presente na cultura da pós-verdade — necessidade de reforçarem suas convicções prévias sobre a vacina — foi identificado como fator inerente para integração dos sujeitos em tais grupos. Nestes, apresentaram ações de negociação da informação permeados por fontes e referências de conteúdos desinformativos veiculados em grande quantidade nos grupos e canais que estão inseridos. A análise das conversas a partir desses fatores revelou que as práticas informacionais destes sujeitos são produtos das interações entre fontes de informação e significados de vacina que os próprios sujeitos produzem e moldam para reforçarem suas crenças sobre ela. Foram identificados quatro termos que permeiam seu significado (experimento, veneno, vassassina e ser inoculado) e que estes são negociados pelos sujeitos nos grupos a partir de fontes e referências que consideram idôneas, dentre eles as autoridades cognitivas (categorizadas em política, da saúde, jornalística, economista e esportista). Em complemento às autoridades cognitivas, outros elementos como o viés cognitivo e a maneira como negociam tal significado foram entendidas como parte das práticas informacionais destes, imprescindíveis para que eles se mantenham negligentes em relação à vacina em suas bolhas.

Author Biographies

  • Carolina Costa Gonzaga, UFMG
    Doutoranda em Ciência da Informação (PPGCI UFMG). Mestre em Ciência da Informação pela UFMG (2023). Bacharel em Enfermagem pela UFMG (2014). Possui especialização em Atenção Básica / Saúde da Família pela Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA BH). Atividades de estágio em diversas unidades da rede SUS como: CS Waldomiro Lobo; URS Saudade - Posto de Coleta de Leite Humano e Teste de Provocação Oral; URS Sagrada Família - Clínica de Anticoagulação e Nefrologia; URS Padre Eustáquio - Ambulatório do Pé Diabético; CREAB Leste - Ostomia; CERSAM Oeste; Centro de Testagem e Aconselhamento Sagrada Família.
  • Carlos Alberto Ávila Araújo, <span>Professor titular da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, da qual foi diretor de 2014 a 2017. Doutor em Ciência da Informação pela UFMG, com pós-doutorado pela Universidade do Porto, Portugal (2011) e pela<
    Professor titular UFMG da ECI e PPGCI

Published

2023-09-23

Conference Proceedings Volume

Section

GT 3 – Mediação, Circulação e Apropriação da Informação